Jon Schaffer: “não ligo se as pessoas gostam ou não de mim”

Tradução: Leo Kreator / Whiplash

A materia abaixo foi originalmente publicada no KNAC.COM e Whiplash

KNAC.COM: Você enxerga alguma similaridade que possa existir entre o que está acontecendo agora neste país e o que aconteceu logo antes da queda de Roma?

Jon Schaffer

Jon Schaffer

Schaffer: “Com certeza. Está acontecendo agora. Estamos perdendo a identidade do que significa ser americano. Estamos quase sendo muito politicamente corretos ao sustentar aqueles que vêm a este país em vez de insistir que aqueles que vêm a este país assimilem nosso jeito de ser. Os romanos fizeram o mesmo – eles expandiram seu poder por toda a Europa. Houve muito decaimento moral, e existem muitos paralelos entre este país e o Império Romano”.

KNAC.COM: O que você vê em relação às eleições recentes? Você vê a vitória de Obama significando uma mudança substanciosa ou você acha que é mais o caso de um país falando da boca pra fora em tempos de desordem?

Schaffer: “Eu acho que há muita falação da boca pra fora. Eu acho que a maioria das pessoas que votaram nesta eleição não têm noção de porra nenhuma. É assustador pra mim. Acredite, tenho muita esperança no novo presidente, e eu espero que ele seja bem sucedido – porque sou americano. Mesmo assim, estou nervoso pelo fato de… eu não sei quem esse cara é. Eu sei que ele é um bom orador e que é carismático, e que o povo, especialmente nesse país, tende a se deixar levar por esse tipo de merda. É a natureza de nossa cultura, e o jeito que valorizamos nossos heróis e nossas estrelas, mas há uma falta de motivação por trás disso. Nós sabemos de verdade como ele vai governar? Ele pode fazer um ótimo discurso, mas por favor, isso é sério. Eu acho que isso foi armado de tantos jeitos – quando você vê todos os canais grandes de notícias comemorando com ele, junto com quase todos em Hollywood – pra mim, parece que as cartas estavam marcadas”.

KNAC.COM: Bem, com certeza ele passou de político a celebridade. O que eu gostaria de saber de verdade é o quão muitas pessoas neste país estão comprometidas com a mudança. Uma coisa é carregar isso num cartaz do Obama, mas… quando chega na hora do sacrifício pessoal, essas pessoas ainda vão estar no barco? Ainda vão estar otimistas quando estes problemas não forem resolvidos em três ou quatro meses?

Schaffer: “Eu acho que a maioria das pessoas que votaram nele não têm idéia do que os problemas significam – eu acredito nisso de verdade. Os caras no camarim estavam falando ontem sobre como Howard Stern mandou alguns repórteres mostrarem o discurso de McCain e dizer que foi do Obama. As pessoas que votaram no Obama estavam todas dizendo, ‘Eu concordo! Eu concordo!’ Isso te mostra que as pessoas não estavam prestando atenção. Você tem moleques de faculdade votando pela primeira vez e formandos de colegial com dezoito anos também votando pela primeira vez que não tem noção do que a vida realmente significa. Eles não sabem o que é viver tempos ruins. Ficamos tão fracos como nação que, para as pessoas, comparar qualquer coisa que está acontecendo agora com a Grande Depressão é algo ignorante pra caralho. Estamos tão estragados que isso me impressiona. Acredite, eu adoro nossas tropas americanas, e eu as apóio, e eles sabem disso, mas tentar comparar o que aconteceu desde o 11 de setembro ao Vietnã é absolutamente ridículo. Nós já temos todos esses anos em que estamos neste conflito – e ainda não estamos nem perto das baixas de um dia da Guerra Civil. O que acontece é, ficamos fracos”.

KNAC.COM: Você não deseja que em alguns momentos você pudesse ter um “salvo-conduto”? Porque, especialmente na internet, a sua imagem é de uma polarização de grande alcance. Alguns amam Jon Schaffer enquanto outros parecem ter graves problemas com o seu jeito de fazer as coisas.

Schaffer: “Eu acho que sou alvo porque sou sincero, e não sou politicamente correto, e eu não ligo se as pessoas gostam ou não de mim. Isso não me importa. Estou fazendo isso porque sei instintivamente o que funciona. As pessoas não têm idéia do trabalho diário que ocorre no ICED EARTH”.

KNAC.COM: Ah, por favor… todos são experts na internet.

Schaffer: “Eles simplesmente não sabem, e eu não tenho que me explicar para essas pessoas. É o meu negócio. As pessoas tem essa fantasia sobre como uma banda é ou o jeito que ela podia ser. Eu acho que há muitas pessoas por aí que ficariam felizes se eu só dissesse o que todos querem ouvir. Porém, acredite, eu não perco nem um minuto do meu sono por causa disso. Não é do meu interesse”.

KNAC.COM: Não é um jeito muito bom de se viver, não é? Ter que se preocupar constantemente sobre suas percepções? Se você está numa posição onde alguém vai te ouvir, não é sua obrigação falar?

Schaffer: “Eu concordo, mas uma coisa que me incomoda é que eu não entro normalmente em muitas conversas sobre política porque eu acho que tem muitos falastrões que sobem na bancada e pensam que só porque vendem um milhão de álbuns ou estão num filme de sucesso, são experts. Eu acho isso uma mentira. Você só é expert se você presta atenção aos problemas e se envolve com as coisas. Eu acho que tem muitas pessoas por aí falando coisas da boca pra fora que não fazem isso. Eles não sabem nada sobre história ou sobre o que está acontecendo. Na verdade, eu tenho que ser quem sou, e eu sei que isso vai ofender algumas pessoas porque eu sei como as pessoas são. De novo, eu tenho que viver do jeito que sou, e as pessoas que me conhecem sabem como eu sou realmente. O jeito como eu me exponho para certas pessoas durante entrevistas ou quando eu estou falando assusta alguns porque eu sou totalmente honesto. Tudo o que eu já disse no passado, acreditem ou não, é verdade. Isso acontece quando estamos discutindo sobre certos membros da banda – eu nunca menti sobre ninguém que já esteve nessa banda. Não posso dizer que não tenho em vista que houve muitas pessoas que deixaram a banda e falaram um monte de merda, mas eles o fizeram porque é um mecanismo de defesa humano”.

“Quando o ego é desafiado, as pessoas têm momentos ruins. No universo de ‘Something Wicked’, a música ‘Come What May’, essa música é sobre a única esperança para humanidade ser a possibilidade de evoluir no nível intelectual – não em relação aos nossos brinquedos. Eu entendo que é isso o que você deve ter interpretado com o jeito que você começou a conversa. Eu apenas vejo a desonestidade tão frequentemente entre as pessoas. Eu certamente não sou perfeito, mas eu tento viver minha vida de uma maneira onde sou honesto comigo mesmo todo o tempo. Isso é o que me mantém em paz”.

Para ler o restante da entrevista acesse:

KNAC.COM

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